sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Morre Leon Cakoff

Fundador da Mostra de Cinema de São Paulo

Crítico tinha 63 anos e lutava contra um câncer desde o ano passado

iG São Paulo com Valor Online | 14/10/2011 13:43


Morre Leon Cakoff, fundador da Mostra de Cinema de São PauloCrítico tinha 63 anos e lutava contra um câncer desde o ano passado
Morreu nesta sexta-feira, aos 63, o crítico Leon Cakoff, fundador da Mostra de Cinema de São Paulo. Ele sofria de um melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele que atingiu o cérebro, e estava internado no Hospital São José.
O melanoma que Cakoff combateu em 2002 retornou em 2010, mas tinha migrado para o lobo direito do cérebro. A lesão foi descoberta e operada em dezembro. Apesar da quimioterapia, não foi possível evitar as metástases.
Seu corpo será velado no Museu da Imagem e do Som (MIS), das 17h desta sexta até as 12h do sábado. Depois, será levado ao Memorial Parque Paulista, em Embu das Artes, onde será cremado.


<span>Leon Cakoff na coletiva da 34ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span> - <strong>Foto: Divulgação</strong> <span>Leon Cakoff em entrevista ao iG</span> - <strong>Foto: Reprodução</strong> <span>Leon Cakoff antes da sessão do filme &quot;Ao Sul da Fronteira&quot;, na FAAP, em 2010</span> - <strong>Foto: Eduardo Lopes</strong> <span>Leon Cakoff durante o lançamento do livro &quot;Filmes da Minha Vida 2&quot;, em 2010</span> - <strong>Foto: Divulgação/Aline Arruda</strong> <span>Renata de Almeida e Leon Cakoff durante a cerimônia de encerramento da Mostra de SP de 2010</span> - <strong>Foto: Divulgação/Marcos Pacheco</strong> <span>Leon Cakoff na Avenida Paulista, um dos palcos da Mostra de SP</span> - <strong>Foto: - Divulgação</strong> <span>O cineasta Braulio Mantovani, o ator Matheus Nachtergaele e Leon Cakoff, crítico de cinema, na cerimônia de entrega do 35º Festival SESC de Melhores Filmes, em 2009</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Leon Cakoff e Renata de Almeida durante a pré-estreia do filme "Quebrando o Tabu", em maio de 2011, em São Paulo
</span> - <strong>Foto: Vinicius Bailloni</strong> <span>Leon Cakoff e Win Wenders na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span> - <strong>Foto: Divulgação/Mario Miranda</strong> <span>Leon Cakoff, Renata de Almeira e Serginho Groisman durante a 33ª Mostra de São Paulo</span> - <strong>Foto: Ag News</strong> <span>Hubert Alquéres e Leon Cakoff durante a entrevista coletiva da 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2008</span> - <strong>Foto: AE</strong>
Leon Cakoff na coletiva da 34ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo - Foto: Divulgação
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Nascido Leon Chadarevian em 12 de junho de 1948 em Aleppo, na Síria, Cakoff emigrou para o Brasil com oito anos. Formou-se sociólogo e antropólogo na Escola de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo, em 1972. Quando estudante, envolveu-se com política, nos primeiros anos do regime militar. Para driblar a repressão, ele assumiu o pseudônimo Cakoff. A partir de 1969, foi repórter e crítico de cinema em empresas ligadas aos Diários Associados, antes de assumir a programação de cinema do Masp, em 1974, onde atuava pelo cineclubismo e contra a censura ao cinema.
A primeira edição do festival teve apenas 16 longas e sete curtas. O evento foi crescendo ano a ano e, no ano passado, exibiu mais de 400 títulos. Em seus mais de 30 anos de história, a Mostra foi responsável por revelar ao público brasileiro cineastas como Manoel de Oliveira, Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar, Amos Gittai e Abbas Kiarostami.
Desde a primeira edição, o crítico manteve uma posição de combate à censura imposta pelo regime militar: trouxe filmes inéditos da China, de Cuba, da então União Soviética, da França e de outros países distantes. Os rolos chegavam por meios heterodoxos, como malas diplomáticas de embaixadas e consulados. "A história da Mostra Internacional de São Paulo é o relato de uma batalha constante contra a censura, as leis arbitrárias, o descaso pela cultura. É, finalmente, uma luta pela criação e preservação de uma memória coletiva", chegou a comentar o cineasta Walter Salles, de "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta".
Cakoff também dirigiu dois curtas em parceria com Renata de Almeida, "Volte Sempre Abbas" (1999) e "Natureza-Morta" (2004), e assinou um terceiro sozinho, "Esperando Abbas" (2004). Além disso, produziu outros dois filmes: "Bem-Vindo a São Paulo", reunião de curtas sobre a cidade dirigidos por 12 cineastas, e "O Mundo Invisível", filme inédito que reúne curtas de Manoel de Oliveira, Wim Wenders e Atom Egoyan, que terá exibição na 35ª Mostra.
Ele ainda escreveu os livros "Gabriel Figueroa – O Mestre do Olhar", resultado de uma grande entrevista com o lendário diretor de fotografia mexicano; "Ainda Temos Tempo", com crônicas de viagem ligadas a cinema; "Cinema Sem Fim", com a história dos 30 anos da Mostra; e "Manoel de Oliveira", sobre o cineasta português.
Em 2001, Cakoff abriu com o empresário Adhemar Oliveira a distribuidora Mais Filmes. Ele também era sócio de Oliveira na rede de salas Unibanco Arteplex. Nos últimos anos, dedicava-se a buscar recursos para seu projeto do Museu da Mostra, em que pretendia exibir o acervo acumulado em 35 anos de dedicação ao cinema.
Repercussão
"Leon Cakoff foi uma referência para o cinema de São Paulo. Ele tinha uma inteligência rara e uma visão muito completa do cinema. Era capaz de enxergar a qualidade de um filme comercial e de um filme autoral. É uma perda muito grande. Mas tenho certeza que a Renata de Almeida vai abraçar esse legado e levar a Mostra em frente da forma mais honrosa para a memória do Leon" - Andre Ristum, diretor de "Meu País".
"O que o Leon Cakoff deixa para quem é paulistano e ama Cinema desde pequeno? A Mostra. Então vamos fazer o que ele mais queria: vamos ver Cinema na Mostra! Isso é celebrar a memória de alguém que viveu em nome do que mais amava: o Cinema" - Toniko Melo, diretor de "VIPs".
"O Leon Cakoff sempre trabalhou para trazer um panorama muito rico de filmes para o Brasil. Foi na Mostra que tivemos oportunida de entrar em contato com filmes muito importantes. Cada edição era uma descoberta para mim. Além disso, a Mostra tornou-se um evento conhecido no mundo inteiro por sua qualidade. Ele colocou o Brasil no mapa dos festivais" - Juliana Rojas, diretora de "Trabalhar Cansa".
Veja abaixo uma entrevista em que Cakoff comenta a Mostra de Cinema de 2009:


Leon Cakoff fala sobre a Mostra de 2009
Texto original do IG
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